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Poesia de músicas esparsas
PublishNews, Redação, 05/06/2025
'Pássaros de giz' é dividido em três partes e aborda o caos poético, em meio a diversos territórios

Composto de ritornelos, figuras que se repetem ao longo da leitura, o livro Pássaros de giz (7Letras, 120 pp, R$ 56) é como uma música esparsa, repleta de assonâncias e aliterações. O mesmo pássaro que canta para marcar território também convida à aproximação do desconhecido. A divisão da obra em três partes é uma tentativa de pôr ordem em meio ao caos. A primeira seção, “O mar por perto”, se apresenta como um gesto territorializante, no qual os poemas parecem querer alcançar um espaço já conhecido através da cidade, da casa e da infância. Uma criança dando voltas na praça que circunda a igreja que continua redonda. Este começo soa como uma afirmação de que essa terra é nossa — realizando uma forma de pertencimento, a busca de consolo ao redor de um mundo desorganizado, como já anunciam os jornais, embora sempre relembrando que “o oco da noite é um pouco o eco do mundo”. Na segunda parte, Paulo Fraga-Queiroz inicia um diálogo com diversos poetas, proclamando o momento em que o desejo se expande e “o poeta insone procura”. Neste impulso, ocorre uma linha de fuga desse território anterior, mais pessoal. Ao se abandonar, o poeta encontra outros poetas: Manoel de Barros, Adélia Prado, Camões, Fernando Pessoa, Drummond etc. A partir disso, revelam-se epifanias acerca da noção de autoria.

Tags: 7Letras, poemas
[05/06/2025 07:00:00]
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