'Lampião', a estreia de Rachel de Queiroz na dramaturgia, volta às livrarias
PublishNews, Redação, 12/07/2024
O projeto especial, publicado pela José Olympio, rememora a primeira edição de 1953

Rachel de Queiroz já era romancista consagrada quando decidiu se aventurar na dramaturgia. Diante do desafio, a história de vida de Virgulino Ferreira da Silva, o bandido que liderou o bando de cangaceiros mais famoso do sertão nordestino, foi escrita com a carga dramática e a nervura social pelas quais a autora ansiava. Lampião se tornou uma figura única no imaginário popular. Seus trajes, típicos de vaqueiros e jagunços dos anos 1920, a pose imponente e desafiadora nas fotos, e até seus óculos de aro fino constituíam sua persona mítica. Revirando essas referências mais imediatas, Rachel de Queiroz construiu seu Lampião (José Olympio, 154 pp, R$ 54,90) destemido e, por vezes, frágil. Seu protagonista desafia o interventor de Pernambuco a lhe ceder o governo do sertão, mas também fica ressabiado com os perigos que o circundam, o que leva Virgulino a recorrer à proteção espiritual de seu Padrinho Padre Cícero, figura religiosa de grande prestígio no Nordeste. Na peça de Rachel de Queiroz, também se destacam Corisco, bandido talentoso e fiel a Lampião, e Maria Bonita (apresentada inicialmente como Maria Déa), que abandona o marido e os filhos para ser esposa do Rei do Cangaço, acompanhando-o até nos confrontos a bala. Em 1954, Lampião estreou nos palcos. Este volume especial reproduz o projeto gráfico da primeira edição de Lampião, lançada em 1953 pela Livraria José Olympio Editora. Na capa, Lampião e Maria Bonita são ilustrados por Tomás Santa Rosa, icônico artista gráfico responsável pelos projetos editados por José Olympio nos anos 1950.

[12/07/2024 07:00:00]
Matérias relacionadas
Ao lado do músico Federico Puppi, atriz conduz montagem 'Ficções', no Sesc Santo André
Na nova adaptação, feita por Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes, 'Gaivota'preserva o núcleo do autor, mas dialoga com inquietações do presente
Espetáculo do século 17 toca em assuntos como desigualdade social, exploração econômica, corrupção e escravidão dos povos indígenas
Leia também
Um jovem francês passa a trabalhar como garoto de programa para fechar as contas do mês. Nesse processo, fica obcecado pela foto de um desconhecido
O nascimento de Chareeya coincide com o instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai e, antes mesmo de abrir os olhos, a menina carrega a ferida do abandono
Marta Sanz reflete sobre a dor, a ansiedade, o envelhecimento, a vulnerabilidade econômica e a finitude da vida