Clássico de Tchékhov volta aos palcos em montagem da Armazém
PublishNews, Redação, 31/07/2026
Na nova adaptação, feita por Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes, 'Gaivota'preserva o núcleo do autor, mas dialoga com inquietações do presente

Os atores Lorena Lima e Bruno Lourenço em cena © João Gabriel Monteiro
Os atores Lorena Lima e Bruno Lourenço em cena © João Gabriel Monteiro

A Armazém Companhia de Teatro estreia uma montagem de Gaivota, inspirada no clássico de Anton Tchékhov (1860-1904). Com direção de Paulo de Moraes, a temporada marca os 39 anos de atividades ininterruptas do grupo e propõe uma leitura contemporânea da obra ao aproximar os conflitos de seus personagens de questões como ansiedade, pertencimento, necessidade de validação e pressão por reconhecimento social.

A temporada começa na próxima quarta-feira, 5 de agosto, às 19h, no CCBB Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66, Centro — Rio de Janeiro / RJ), e segue em cartaz até o domingo, 13 de setembro, às 18h, com apresentações de quarta a sexta, às 19h, e aos sábados e domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada).

Escrita no fim do século XIX e considerada um marco do teatro moderno, A gaivota rompeu com o modelo dramático tradicional ao deslocar o foco da ação para os conflitos íntimos de seus personagens. Na adaptação da Armazém, assinada por Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes, a história preserva o núcleo criado por Tchékhov, mas dialoga diretamente com inquietações do presente.

Ambientada em uma propriedade rural às margens de um lago, a peça acompanha Konstantin (Jopa Moraes), um jovem dramaturgo que sonha renovar a linguagem teatral, e Nina (Lorena Lima), aspirante a atriz fascinada pela possibilidade de alcançar reconhecimento artístico. Ao redor deles gravitam personagens marcados por desejos interrompidos, relações afetivas desgastadas e ambições frustradas, compondo um retrato das fragilidades humanas.

Patricia Selonk, a estrela da cia., atua com Jopa Moraes © João Gabriel Monteiro
Patricia Selonk, a estrela da cia., atua com Jopa Moraes © João Gabriel Monteiro

"O clássico não pode ser tratado com reverência. Ele permanece vivo justamente porque continua produzindo atrito, desconforto e conflito. Em A Gaivota, o que mais me atravessa é a necessidade humana de pertencimento. Mais do que reconstruir Tchékhov, nosso desafio é descobrir como essa gaivota continua nos observando hoje", afirma o diretor Paulo de Moraes, no release enviado pela assessoria de imprensa.

O elenco reúne Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Fe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin). A cenografia é de Carla Berri e Paulo de Moraes, com iluminação de Maneco Quinderé, figurinos de Carol Lobato e direção musical de Ricco Vianna.

Fundada em 1987, em Londrina (PR), e sediada no Rio de Janeiro desde 1998, a Armazém Companhia de Teatro consolidou-se como um dos grupos mais importantes do teatro brasileiro. Ao longo de quase quatro décadas, desenvolveu uma linguagem própria centrada no trabalho do ator e na investigação das relações entre corpo, palavra, tempo e espaço, acumulando reconhecimento internacional com premiações como o Fringe First Award, no Festival Fringe de Edimburgo, e o Coup de Cœur de la Presse d'Avignon, no Festival Off de Avignon.


Tags: Teatro
[31/07/2026 11:08:13]
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