O desalento de uma geração em literatura
PublishNews, Redação, 14/08/2026
Um jovem francês passa a trabalhar como garoto de programa para fechar as contas do mês. Nesse processo, fica obcecado pela foto de um desconhecido
De Simon Chevrier,
Foto no privado (
Ercolano, 128 pp, R$ 82,70 — Tradução: Alexandre Rabelo) se passa em plena pandemia da covid-19, um jovem francês passa a trabalhar como garoto de programa para fechar as contas do mês. Entre encontros marcados por aplicativos e empregos precários, ele vê, na cabeceira de um date, o retrato de um desconhecido: uma fotografia feita por Peter Hujar em 1981, do jovem Daniel Schock, hoje quase desaparecido dos registros históricos. A fotografia vira obsessão. Ao mesmo tempo que passa a investigar quem foi o homem da foto, ele se vê confrontado ao desaparecimento gradual do pai, à fragilidade dos seus relacionamentos e ao fim da sua fé no futuro. Chevrier aproxima duas épocas marcadas pela perda: a pandemia vivida pelo protagonista e a sombra da epidemia de HIV que atravessa a obra de Hujar. A prosa é fragmentada, como se cada trecho fosse uma foto, e o romance transforma imagens e lembranças em resistência ao esquecimento.