O nascimento de Chareeya coincide com o instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai e, antes mesmo de abrir os olhos, a menina carrega a ferida do abandono
A minhoca cega no labirinto (
Record, 280 pp, R$ 79,90 — Tradução: Nut Traiphoomi), de Veeraporn Nitiprapha, é um livro que se lê tanto com os olhos como com os sentidos. Aqui, paladar e olfato se enlaçam às memórias mais profundas, trazendo à tona o que estava esquecido. Chareeya nasce numa casa à beira de uma tragédia. Sua chegada coincide com o instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai e, antes mesmo de abrir os olhos, a menina carrega a ferida do abandono. Ela e a irmã, Chalika, crescem num lar feito de silêncios. E, como presságio, surge Pran, um órfão melancólico, alguém que parece destinado a se perder e, ainda assim, permanecer em cada lugar por onde passa. Entre encontros e desencontros, forma-se um triângulo amoroso. Por baixo dele correm rios de música, de flores e de comidas, além de desejos íntimos e ilusões políticas. O amor dos três nasce como algo inevitável, mas nunca simples, nunca inteiro.