Thiago Ponce de Moraes convoca os leitores para uma reflexão sobre o tempo do fazer poético, ou melhor, sobre a persistência da vida
Ao estampar na capa de seu novo livro de poemas a palavra “celacanto”, peixe que é considerado um “fóssil vivo” por representar espécies extintas há dezenas de milhões de anos, Thiago Ponce de Moraes convoca os leitores para uma reflexão sobre o tempo do fazer poético, ou melhor, sobre a persistência da vida — e da poesia — num tempo hostil. Note-se, ainda, que o título-peixe permite ouvir o nome de Paul Celan, poeta fundamental para o autor, e também “canto”, um dos vários nomes da poesia. Dividido em sete partes,
Celacanto (
Círculo de Poemas, 40 pp, R$ 49,90) cobre um arco vasto e coeso de questões. Vasto, sim, porque os poemas movem-se entre o amor, a chegada dos filhos, a partida dos avôs e de um amigo, a escrita, a escuta, o silêncio. Mas todas essas indagações estão lançadas no “abismo do presente”, em que “o porvir se afunda”.