Estas memórias ultrapassam a catarse pessoal e revelam uma escritora habilidosa que partiu de maneira precoce, deixando uma única obra literária
Antes de ser uma ativista trans pelos direitos LGBTQIAP+ reconhecida em Nova York, Cecilia Gentili foi uma criança queer na pequena Gálvez, na Argentina dos anos 1970. Caçula de uma família desestruturada, forjou para si uma identidade ― e uma vida ― no bairro pobre em que vivia, vítima de diversos tipos de abuso dos adultos à sua volta. As oito cartas que compõem
Faltas (
DBA, 216 pp, R$ 82,90 — Trad.: Carolina Kuhn Facchin) são destinadas a pessoas decisivas dessa época ― a mãe, a avó, o melhor amigo, a amante do pai, a filha do homem que a violentava. Em meio às faltas daqueles que deveriam protegê-la, Gentili escreve para todos, exceto para seu algoz. Estas memórias ultrapassam a catarse pessoal e revelam uma escritora habilidosa que partiu de maneira precoce, deixando uma única obra literária.