Coletânea apresenta 37 poemas dos primeiros livros de H. D.
Leitoras e leitores brasileiros já conhecem, há bastante tempo, alguns dos grandes nomes do modernismo em língua inglesa, como Ezra Pound, Mariane Moore e William Carlos Williams, mas havia uma grande e inadmissível lacuna: a obra poética de H. D., figura fundamental da poesia do século passado e indispensável para a contemporaneidade.
Eurídice e outros poemas (
Círculo de Poemas, 144 pp, R$ 69,90), antologia organizada e traduzida por Camila de Moura, apresenta 37 poemas dos primeiros livros de H. D. —
Jardim do mar (1916),
O deus (1913-1917),
Hímen (1921) e
Heliodora (1924) —, posfácio e glossário elaborados pela tradutora, além de um perfil da poeta escrito por sua filha, Perdita Schaffner. Nos versos de H. D., povoados de divindades gregas, tem-se a impressão de estar entrando noutro tempo, noutro mundo, mas poucas páginas bastam para que se perceba uma poeta radicalmente moderna — atualíssima sob vários aspectos — que viveu muitas vidas. Em torno dela, giram não apenas referências ao mundo literário, mas também a Freud, cinema, múltiplas relações amorosas, duas guerras mundiais, a gripe espanhola.