Escultório de poesia
PublishNews, Redação, 22/05/2026
Na obra, Cavito trabalha a poesia como ofício de cinzel
Há, em
pequeno continente (
Laranja Original, 88 pp, R$ 60), algo de escultório: uma escultura feita no fundo do mar e trazida para a superfície. A sensação é de uma obra que chega ao mundo como quem foi lentamente talhada pela água e pela pressão – um bloco de som e matéria que guarda veias, sal e lume. Cavito trabalha a poesia como ofício de cinzel: suas imagens são rochas que sangram seiva, ilhas que são ossos e flores, peles que se abrem em fendas de lava. A um só tempo tenso e carnal, o livro investiga as margens entre corpo e mundo, entre técnica e desejo, entre o impulso que corta e o gesto que modela – pequeno continente é um território poético onde a leitura é o gesto que traz à luz aquilo que o mar oculta.