Peter Sloterdijk empreende
nos três volumes de sua monumental obra
Esferas
nada menos do que a tentativa de narrar a história da humanidade. Para tanto,
começa pelas perguntas mais simples: onde vivem de fato as pessoas a partir do
momento que lhes fica claro que estão em casa numa esfera, num globo? Para
abordar uma resposta a essa pergunta, Sloterdijk desenvolve o conceito das
esferas e cobre um leque repleto de perspectivas abrangendo desde as culturas
mais primitivas até a nossa época globalizada. Em
Esferas I – Bolhas (Estação Liberdade,
576 pp, R$ 95 – Trad.: José Oscar de Almeida), primeiro volume da série,
Sloterdijk oferece sua minuciosa investigação filosófico-existencial sobre o
homem e sua relação com seus semelhantes e o entorno, a partir da noção de
“espaços íntimos”, que seriam como “bolhas”. Já na concepção, o feto se
desenvolve numa primeira bolha que é o útero materno. Sloterdijk
faz o leitor observar que, desde o nascimento, os mesmos rituais de aproximação
e distanciamento passam a se repetir no destino das pessoas.