
1. Livros didáticos
Um dos pontos de maior preocupação é o segmento de livros didáticos, impactado por reduções em programas públicos de compra e pela migração crescente das escolas para sistemas de ensino em substituição à adoção de livros.
2. Perfil do leitor
A Pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostra que o acesso ao livro segue profundamente ligado à renda. Em muitas demografias o livro ainda é percebido como caro, o que reforça o papel central das bibliotecas públicas como instrumento de equidade. A falta de investimento contínuo em bibliotecas tem sido uma falha histórica que compromete o acesso à leitura no país.
3. Tendência de mercado
O fenômeno dos livros de colorir talvez perca ímpeto em 2026, após o pico registrado no ano anterior, embora deva permanecer como um nicho relevante.
Devemos ainda destacar de forma positiva o papel das redes sociais — especialmente o TikTok — na descoberta de novos autores e na redescoberta de clássicos, rompendo uma tendência de concentração excessiva de vendas em autores já consagrados.
Apesar do crescimento em vendas e faturamento, há um dado alarmante: a queda no número de ISBNs registrados, sinalizando menor disposição das editoras em assumir riscos e lançar novos títulos. Para ele, essa retração ameaça a diversidade editorial e caminha na contramão da riqueza cultural e social que a literatura brasileira tem potencial de refletir.
4. Campo econômico
O aumento de faturamento registrado no consolidado 2025 da Pesquisa Painel do Varejo é explicado principalmente pelo crescimento do volume de vendas, e não por reajustes reais de preço. O preço médio observado refletiu o mix de títulos comprados, e não aumentos diretos nas prateleiras. Ainda assim, esse crescimento ajudou as editoras a recompor parcialmente margens fortemente pressionadas durante a pandemia, sem ultrapassar a inflação de forma significativa.
5. Otimismo cauteloso com 2026
Em 2026, a expectativa é de manutenção do crescimento, desde que o cenário macroeconômico permaneça estável, pois as vendas de livros se mostram altamente sensíveis a crises econômicas e à perda de poder de compra das famílias. Eventos como Copa do Mundo e eleições aparecem simultaneamente como desafio — pela concorrência no orçamento familiar, como os álbuns de figurinhas — e como oportunidade, especialmente para nichos de não ficção e interesse social.
*Dante Cid é o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)


