Com 92 anos, José Amélio Molica estreia na literatura com um livro que transforma a memória pessoal em matéria poética
O mundo começa em Cajuri (
Tinta Negra, 180 pp, R$ 42,80), de José Amélio Molica, carrega em si o peso leve da experiência, o calor das lembranças vividas e a serenidade de quem sabe que a escrita pode ser um gesto de permanência. Com 92 anos, José Amélio Molica estreia na literatura com um livro que transforma a memória pessoal em matéria poética. Cajuri, cidade mineira onde o autor passou a infância, não é apenas cenário: é ponto de partida, personagem, atmosfera e pulsação. Cada crônica é um capítulo do Brasil interiorano, de um tempo em que as relações eram costuradas à mão, no fio do afeto, da religiosidade, da oralidade e da comida feita em panela de barro. Com uma prosa musical, Molica convoca o leitor a entrar em sua casa de infância, a sentar no banco da varanda, a ouvir as histórias dos mais velhos, a sentir o cheiro do café passado no coador de pano.