'O astrágalo' retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960
Publicado em outubro de 1965, o romance
O astrágalo (
Editora 34, 208 pp, R$ 79, traduzido por Monica Kalil), de Albertine Sarrazin (1937-1967), conta a história da jovem delinquente Anne. Ao fugir da prisão, ela conhece Julien, seu grande amor, e fratura o pequeno osso do calcanhar que dá nome ao livro.
O astrágalo retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960 — às vésperas, portanto, dos acontecimentos de maio de 1968. Tida por muitos como “alma gêmea de Jean Genet” ou “padroeira dos escritores inconformistas”, Albertine Sarrazin é poética sem perder o vigor narrativo ou abandonar a linguagem das ruas. Com descrições afiadas, o livro foi elogiado, antes mesmo de sua publicação, por ninguém menos que Simone de Beauvoir (1908-1986). Seus direitos de publicação foram disputados pelas mais importantes editoras da França e, embora combatido pelo gosto mais tradicionalista, obteve sucesso imediato ao sair, ganhou prêmios e fez carreira internacional. Uma vez lançado em outros países da Europa e nos Estados Unidos, influenciou toda uma geração de escritores e, sobretudo, de escritoras. Sua permanência fica evidente no prefácio de Patti Smith, contido nesta edição.