Autobiográfico até a medula
PublishNews, Redação, 24/02/2026
'O astrágalo' retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960

Publicado em outubro de 1965, o romance O astrágalo (Editora 34, 208 pp, R$ 79, traduzido por Monica Kalil), de Albertine Sarrazin (1937-1967), conta a história da jovem delinquente Anne. Ao fugir da prisão, ela conhece Julien, seu grande amor, e fratura o pequeno osso do calcanhar que dá nome ao livro. O astrágalo retrata uma vida na fronteira entre a precariedade, o submundo e a efervescência boêmia de Paris na metade dos anos 1960 — às vésperas, portanto, dos acontecimentos de maio de 1968. Tida por muitos como “alma gêmea de Jean Genet” ou “padroeira dos escritores inconformistas”, Albertine Sarrazin é poética sem perder o vigor narrativo ou abandonar a linguagem das ruas. Com descrições afiadas, o livro foi elogiado, antes mesmo de sua publicação, por ninguém menos que Simone de Beauvoir (1908-1986). Seus direitos de publicação foram disputados pelas mais importantes editoras da França e, embora combatido pelo gosto mais tradicionalista, obteve sucesso imediato ao sair, ganhou prêmios e fez carreira internacional. Uma vez lançado em outros países da Europa e nos Estados Unidos, influenciou toda uma geração de escritores e, sobretudo, de escritoras. Sua permanência fica evidente no prefácio de Patti Smith, contido nesta edição.

[24/02/2026 08:36:46]
Matérias relacionadas
Livro reúne ensaios sobre diferentes aclimatações da obra de Samuel Beckett no Brasil
Xico Sá evoca uma forma de fazer jornalismo pouco presente nos dias de hoje ao contar a história de PC Farias
Livro é a memória de quatro gerações, abarcando mais de um século de história, russa e francesa, até chegar à guerra na Ucrânia
Leia também
'Lá no meio da floresta' é novo livro das autoras Sônia Travassos e Luciana Grether e traz leitores para um universo de rimas, cores e encontros na natureza
Livro evoca as imagens da periferia em sua essência e pinta as dores e as mazelas de alguém que viu de perto as casas de madeira serem arrancadas pelo vento
Suzane Lopes convida o leitor a entrar no mundo delicado dos sentimentos que chegam de mansinho