Publicidade
Romance vencedor do Prêmio Literário José Saramago 2024
PublishNews, Redação, 12/09/2025
No centro da narrativa está António, um homem que assiste ao passar dos dias entre o ranger de uma cadeira de balanço e o tique-taque implacável do relógio

O romance Morramos ao menos no porto (Biblioteca Azul, 240 pp, R$ 74,90), de Francisco Mota Saraiva, vencedor do Prêmio Literário José Saramago 2024, se debruça, com rara delicadeza, sobre a lenta erosão do corpo, da memória e dos afetos. No centro da narrativa está António, um homem que assiste ao passar dos dias entre o ranger de uma cadeira de balanço e o tique-taque implacável do relógio. Recolhido em seu apartamento junto a um porto, ele zela pelo corpo da esposa sem vida como se ela ainda respirasse. Cada gesto cotidiano — limpar, alimentar, cuidar — transforma-se em ritual de negação e lembrança, enquanto do lado de fora a vida insiste em pulsar com a vulgaridade e o barulho da vizinhança decadente. Com uma prosa ao mesmo tempo brutal e arrebatadora, o autor constrói um retrato implacável da solidão, da cumplicidade e do amor em decomposição. O resultado é um romance atmosférico, pungente e de grande densidade literária, que se inscreve na tradição de obras que exploram os limites da sobrevivência íntima diante da perda.

[12/09/2025 09:19:36]
Matérias relacionadas
Livro já foi publicado em mais de doze idiomas, recebeu o Prêmio Elias Canetti de 2019 ― o mais prestigioso da Bulgária ― e foi finalista do International Booker Prize de 2026
Em nova edição, romance amplia o retrato literário da cidade como espaço de deslocamento e silêncio
Na obra, um grupo de conhecidos se junta para praticar pequenos atos de 'terrorismo arquitetônico'
Leia também
Livro ironiza elementos da psicanálise e das narrativas de superação
O autor vê o caminho da escrita sobre a literatura a partir de uma "desconfiança crítica", que deve se sustentar no pluralismo e na variedade de ideias
Em meio à viagens e experiências, autor português chega a conclusão de que tudo carrega a sua própria finitude