Trama utiliza o humor ácido para desconstruir as engrenagens da masculinidade e da hipocrisia social
Redescoberta após mais de seis décadas,
O digno do homem (
Ercolano, 96 pp, R$ 69,20) é uma das novelas mais divertidas, inusitadas e originais da literatura brasileira do século XX. Na obra de Paulo Hecker Filho, acompanhamos Justino, um homem obcecado pela ideia de possuir "o maior do mundo" — atributo físico que, em sua visão, o tornaria verdadeiramente digno de ser homem. A partir de uma premissa desconcertante, a narrativa transita entre sonho e realidade, misturando cenários como Porto Alegre, Paris e Hollywood em um universo repleto de atrizes de cinema, milionárias excêntricas e sociedades secretas. Mais do que provocar o leitor com referências filosóficas de Sartre a Freud, a trama utiliza o humor ácido para desconstruir as engrenagens da masculinidade e da hipocrisia social. Uma sátira literária cirúrgica e de imaginação radicalmente livre.