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Mercado editorial português cresceu 9% em 2024, aponta estudo da APEL
PublishNews, Redação, 03/09/2025
Pesquisa desenvolvida pela Gfk e divulgada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros​ mostra que 76% dos portugueses afirmam ter lido pelo menos um livro em 2024

Miguel Pauseiro, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) | © Book 2.0 / APEL
Miguel Pauseiro, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) | © Book 2.0 / APEL
O estudo Hábitos de Compra e Leitura em Portugal, apresentado nesta quarta-feira (3) pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), aponta que 76% dos portugueses afirmam ter lido pelo menos um livro em 2024, mas a quantidade de livros lidos diminuiu para uma média de 5,3 livros. A pesquisa foi apresentada no âmbito do BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura, evento realizado em Lisboa.

O estudo, desenvolvido pela Gfk, mostra um crescimento em relação a 2023, quando o índice era de 73%. Contudo, a quantidade de livros lidos sofreu uma quebra: no total, os portugueses leram em média 5,3 livros, abaixo dos 5,6 livros lidos no ano anterior. Entre os leitores, o número médio de livros lidos também diminuiu, passando de 7,9 em 2023 para 7,2 em 2024.

Em termos de mercado editorial, o estudo aponta que 58% dos portugueses adquiriram livros em 2024 (65% em 2023), com uma média de 3,9 exemplares por pessoa, menos do que em 2023 (4,8). Ainda assim, o mercado editorial nacional registou em 2024 um crescimento em valor de 9%, alcançando os 204 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão), face aos 187 milhões de euros registados em 2023. A conjugação destes dados aponta para uma maior concentração da compra de livros, segundo a APEL.

“Estes resultados confirmam que, apesar do crescimento sustentado do mercado do livro em Portugal evidenciar uma base estável de leitores e apesar dos avanços verificados nas últimas cinco décadas no acesso à educação e no acesso aos livros, a compra de livros e a leitura não são, ainda, uma prática regular nem um hábito diário fortemente enraizado na maioria das famílias portuguesas”, sublinha Miguel Pauseiro, presidente da APEL. “O papel da escola, das famílias e da sociedade em geral é crucial para que o livro seja, definitivamente, visto como uma ferramenta essencial de cidadania e de desenvolvimento do potencial humano e para que a leitura se transforme num hábito sustentável ao longo da vida”.

A leitura por lazer é uma atividade praticada por cerca de 60% dos portugueses com 15 ou mais anos. As mulheres (64%) leem mais por lazer do que os homens (54%), e é entre os 35 e os 54 anos que se registra a maior frequência (71%) deste hábito. Ainda assim, a leitura surge atrás de outras ocupações, como conviver com amigos (mais de 90%), estar nas redes sociais (84%), ver televisão (72%), assistir a eventos culturais ou esportivos (72%) e a praticar esportes (63%). Mais de metade dos portugueses (53%) afirma que o gosto pela leitura é a principal motivação para a sua prática.

Na análise por faixas etárias, os 25-34 anos passaram a ser o grupo com maior índice de leitura, com 91% deles afirmando ter lido no último ano, seguidos de perto pelos 35-54, com 86%. Já os mais jovens (15-24 anos) são o grupo etário que apresenta um maior crescimento, de 58% para 76%, enquanto acima dos 75 anos é o grupo que apresenta níveis de leitura mais baixos.

O papel mantém-se o formato dominante, com 92% dos portugueses lendo em suporte físico, ligeiramente abaixo dos 93% registados em 2023. Esta porcentagem desce para 84% na faixa etária entre os 15 e os 24 anos. O digital, contudo, tem ganhado espaço: 22% dos portugueses já lê livros em formato digital, contra 17% em 2023. O índice sobe para os 32% na faixa etária entre os 25 e os 24 anos. Relativamente ao dispositivo de leitura mais usado, os e-readers lideram (45%), seguido pelo tablet (37%) e pelo celular (35%), que registrou o maior crescimento face ao ano anterior (+6 p.p.).

Entre os não leitores, as razões mais apontadas para a ausência de leitura são a falta de interesse (46%), a falta de tempo (39%) e a preferência por outras atividades de lazer (35%). 40% dos não leitores entende que a escola tem um papel decisivo no reforço dos hábitos de leitura adquiridos em casa.

Comércio de livros

82% dos portugueses comprou livros para consumo próprio (igual a 2023), ao passo que 34% comprou para presentear (44% em 2023). A faixa etária que comprou mais livros em 2024 foi a que está entre os 35 e os 54 anos (82%). O romance continua a ser a categoria com mais procura (66% em 2024 vs 61% em 2023), seguido pelo policial e romance histórico, ambos com 45%, e pelo infanto-juvenil com 40% em 2024 (42% em 2023).

O estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal” foi apresentado nesta quarta-feira (3) pelo presidente da APEL, Miguel Pauseiro, na abertura da terceira edição do BOOK 2.0 – O Futuro da Leitura, realizado nos dias 3 e 4 de setembro de 2025 na Fundação Champalimaud, em Lisboa. Com mais de 50 participantes nacionais e estrangeiros em mais de 30 painéis, o evento promove debates sobre o livro, a leitura e a importância do conhecimento.

[03/09/2025 11:28:05]
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