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Três Perguntas do PN para Jorge Carrión
PublishNews, Guilherme Sobota, 26/06/2025
Carrión é escritor, acadêmico e crítico cultural, reconhecido por uma abordagem multidisciplinar da literatura; 'a inteligência artificial atravessa tudo, incluindo também o mundo das livrarias', diz

Jorge Carrión em São Paulo | © Flavio Florido / A Feira do Livro
Jorge Carrión em São Paulo | © Flavio Florido / A Feira do Livro
O escritor espanhol Jorge Carrión foi uma das estrelas internacionais d'A Feira do Livro, realizada entre os dias 14 e 22 de junho em São Paulo (SP) – ele conversou em dois painéis da programação principal, com Lina Meruane e com Afonso Cruz, sobre alguns de seus assuntos preferidos: livros, tecnologia, inteligência artificial e viagens.

Carrión é escritor, acadêmico e crítico cultural, reconhecido por uma abordagem multidisciplinar da literatura. Sua bibliografia explora diversos gêneros, como ficção, ensaios, quadrinhos e narrativa digital, e inclui obras como Livrarias (Bazar do Tempo), Contra Amazon e outros ensaios sobre a humanidade dos livros (Elefante) e o mais recente Membrana (Relicário), que chegou às livrarias no final de 2024 com tradução de Michelle Strzoda. A obra mostra a relação entre homens e a tecnologia no futuro por meio de uma inteligência artificial que narra a inauguração do Museu do Século XXI no ano de 2100.

O autor veio ao Brasil a convite do Instituto Cervantes de São Paulo, e o PublishNews aproveitou para lhe fazer três perguntas.

PN – Livrarias e inteligência artificial são temas que atravessam o seu trabalho. Como essas duas "entidades" se relacionam?

Jorge Carrión – A inteligência artificial atravessa tudo, incluindo também o mundo das livrarias. Desde a criação de conteúdos automatizados até a geração de metadados de um livro, há uma evidente simbiose. Dito isso, creio que as livrarias têm que ser um lugar de resistência contra a inteligência artificial, onde você possa encontrar livros que te informem sobre a tecnologia. Além disso, os livros editados em papel, por editores humanos, são o lugar onde você pode encontrar dados, verificação, ciência e evidência, enquanto a internet esta ficando cheia de conteúdos de IA que não foram editados ou verificados por ninguém.

PN– Desde a publicação original de 'Contra Amazon', em 2017, você viu alguma transformação no mercado do livro? Você avalia que hoje há maior ou menor resistência do mercado e dos leitores em relação à empresa?

JC - Acredito que há dois cenários. Há países nos quais os livros não têm preços fixos, onde a Amazon provocou muitos danos. E os leitores desses países que não compram na Amazon o fazem por ativismo e defesa das livrarias. E há outro cenário em países onde os livros têm preços fixos e a Amazon consegue ter cerca de 30% do mercado, mas ao mesmo tempo as livrarias não param de surgir e se tornar mais importantes. Em resumo, estamos divididos entre o mundo da Amazon e o outro mundo, que obviamente é com o qual eu estou!

PN – Você pode falar um pouco sobre a sua experiência no Brasil, especialmente relacionada aos livros e à literatura? Vi você dizer em outras que viajou pelo país nos anos 2000.

JC - Eu vim ao Brasil em 2003 e estive viajando por dois meses em todo o país, em lugares como Minas Gerais, Brasília, Fortaleza e Rio de Janeiro. Encontrei um país fascinante e naquela época estava apaixonado pelo trabalho da autora Clarice Lispector, traduzi alguns contos dela para o espanhol. Voltei depois em mais duas ocasiões, mas está é a primeira vez que venho de fato como escritor, com três livros publicados, e tem sido uma viagem muito especial.

[26/06/2025 10:10:00]
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