Sobre os encontros e desencontros afetivos
PublishNews, Redação, 16/01/2025
'Futuro do pretérito' é a história de uma mulher sem passado que descobre a si mesma, seus afetos e seu país

Mariana só tem memórias do que não viveu. Apesar de parecer contraditório, a afirmação da protagonista de Futuro do pretérito (Labrador, 176 pp, R$ 53), romance da autora carioca Lilian Dias, é o ponto de partida da história de uma mulher sem passado que descobre a si mesma, seus afetos e seu país, a partir de recortes do presente e da possibilidade de um futuro. A memória individual e coletiva é o tema principal apontado pela autora para a construção do livro, que espelha a passagem do tempo em uma narrativa não-linear, assim como a memória de Mariana. Ambientado a partir do início dos anos 1980, entre idas e voltas no tempo, Futuro do pretérito é sobre os encontros e desencontros afetivos de Mariana, mas também é a construção de uma narrativa de cunho político e cultural. Em um período marcado pela redemocratização após a ditadura militar, a criação de uma nova Constituição e o advento da militância ambiental, Lilian apresenta um olhar para o Brasil em todas as suas contradições. Assim como o personagem Joel, livreiro amigo de Mariana, Lilian tem uma longa trajetória relacionada ao livro. Foi sócia de sebos que funcionaram em Copacabana e no Centro do Rio, no início dos anos 2000. Também trabalhou como restauradora de livros antigos e foi pesquisadora de obras raras. Atualmente se dedica à escrita de romances e contos.

Tags: labrador, romance
[16/01/2025 07:00:00]
Matérias relacionadas
A narradora e protagonista do livro precisa encontrar o pai, Viola, que viajou para ajudá-la a fechar o apartamento, mas desaparece
'Cada vez que você respira, inala o pó dos nossos ossos' busca revelar como os grandes dramas não se desenrolam apenas em acontecimentos extraordinários
Maria Adelaide Amaral cria um romance que aborda temas como etarismo, machismo e preconceito
Leia também
Autor argumenta que esse vazio interior não nasce da falta de conquistas, mas da ausência de algo muito mais importante
A neurocientista Lisa Feldman Barrett apresenta a teoria de que emoções não são reações automáticas nem universais
Suzan J. Song reúne experiências de sua prática clínica, histórias inspiradoras de pacientes e pesquisa científica