'Cavalos no escuro' tem personagens marcantes, envoltas em suas próprias cegueiras, insuficiências e compulsões, obsessões e dificuldades.
Nascido e criado na fazenda, filho dos antigos caseiros de seu Fortunato, Pedro passou a vida em completa e cega devoção ao patrão e ao trabalho com os animais. Contudo, após algum tempo de seu casamento com Joana, a pacífica dedicação às suas obrigações na propriedade é abalada pelo relinchar desesperado e constante dos cavalos no estábulo, onde a mulher e seu empregador, toda noite, passam um tempo sozinhos, a “tratar” dos bichos. Inquietante,
Cavalos no escuro (Record, 208 pp, R$ 64,90) é a porta de entrada para o que o leitor deve esperar nos outros nove contos da obra. Em comum, as narrativas de
Cavalos no escuro apresentam personagens marcantes, envoltas em suas próprias cegueiras, insuficiências e compulsões, obsessões e dificuldades – ressaltando a capacidade de Rafael Gallo estruturar uma prosa eletrizante do início ao fim. Nélida Piñon escreveu que o autor é “um herdeiro das portas da imaginação que Homero abriu”. E Adriana Lisboa afirma, no texto de orelha deste
Cavalos no escuro: “Rafael Gallo é um mestre na construção dessas figuras inesquecíveis, que permanecem conosco muito depois de finda a leitura.”