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O que escreve é o corpo
PublishNews, Redação, 26/03/2024
Se o corpo feminino toma a imaginação a partir de sua existência física, a escrita toma a forma física a partir de sua existência imaginária

A mão que se solta das amarras de um cérebro analítico e o usa tão somente como intermediário entre papel e ancestralidade. A literatura corporal de Vilma Ribeiro se recusa a gêneros, porque sabe muito bem que metáforas não dão conta de alcançar o que é um corpo de mulher. O corpo feminino é, sob diversos aspectos, mais imaginário do que físico. Corpus: Textus profanus (Arpillera, 80 pp, R$ 49,90) faz um percurso contracorrente: se o corpo feminino toma a imaginação a partir de sua existência física, a escrita toma a forma física a partir de sua existência imaginária. A potência da escrita de Vilma é a da escrita sem rodeios e sem pudores. Palavras que se despem à luz do dia, não para seduzir, mas para estar em liberdade. Estas páginas físicas se fundem ao abstrato da palavra, do feminino e nos revelam que há uma verdade anterior a qualquer gênero, a qualquer teoria ou classificação, uma verdade ancestral explorada pela autora desde a mitologia da criação segundo a Bíblia até os pequenos detalhes do infraordinário, do corriqueiro — a peça de roupa que se recusa a vestir, o fervor da descoberta da masturbação, a calcinha esticada entre as pernas na hora de mijar. Saiba: isto é o relato de um corpo.

Tags: Arpillera, poemas
[26/03/2024 07:00:00]
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