Um dos grandes poetas da língua portuguesa ganha antologia ilustrada e com poemas inéditos
Mais frequentemente lembrado por seus versos de amor, Vinicius de Moraes sempre cultivou um apreço pelo feio e o grotesco. Não que uma característica exclua a outra — em sua poesia, o belo e o mórbido andam de mãos dadas. Estes
50 poemas macabros (Companhia das Letras, 168 pp, R$ 84,90) apresentam ao leitor uma faceta que marca toda a produção do poeta, mas poucas vezes recebeu destaque como um dos principais atributos de sua obra. De cemitérios a campos de concentração, caminhando entre fantasmas ou corpos decompostos, está aqui o Vinicius fúnebre e escatológico, aquele que pode ser considerado, “com a devida atenção, o principal herdeiro no século XX da poesia grotesca levada a efeito por Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos”, como escreve Daniel Gil, que organiza a seleção e assina o posfácio. Com projeto gráfico especial e ilustrada por Alex Cerveny, a antologia inclui ainda sete poemas inéditos, extraídos de documentos do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB) da Fundação Casa de Rui Barbosa:
A morte sem pedágio,
A consumação da carne,
Poema de aniversário,
Cara de fome,
Parábola do homem rico,
Desaparição de Tenório Júnior e
O sórdido.