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A pandemia não foi bolinho nem gripezinha
PublishNews, Paulo Tedesco, 17/12/2021
Em sua coluna, Paulo Tedesco fala sobre o ano que passou, as lições aprendidas e os desafios enfrentados

Aliviada a pandemia, embora ainda não terminada, aos poucos foi ficando claro o grande volume de gente querendo publicar e fazer ler suas histórias e pensamentos sob o formato de livro. Lançamentos pipocaram por livrarias e os anúncios e avisos nas redes sociais com maior intensidade nos últimos meses desse 2021, nos fizeram ver que a vida intelectual parecia rebrotar no Brasil.

Não fosse o negacionismo criminoso do governo central brasileiro, possivelmente teríamos um 2021 próximo da normalidade, o que, ainda que pese a variante Ômicrom da gripe – que foi longe de ser uma “gripezinha” –, poderíamos termos visto lançamentos e as estimadas feiras de livros desde os primeiros meses do ano. Uma lástima, sem dúvida, pois obrigados somos a celebrar simplesmente por estarmos vivos, enquanto mais de 600 mil brasileiros pereceram. O que pareceria um exagero, é mais do que a realidade, nua e absolutamente crua.

Se após os lançamentos e as feiras vem a ressaca de fim de ano, podemos contar também com o próximo passo, afinal escritor vive de escrever, pago ou não por isso, e editora vive de fazer e vender livro, e nem sempre ganhando com isso. Então, 2022 está aí, e é hora do autor e do editor seguirem adiante, celebrarem a vida e retomarem os projetos.

E nada melhor do que buscar nas pesquisas e rascunhos onde mais se sente à vontade para retomar a escrita, e talvez um pouco mais do que isso, onde mais se sente desafiado a escrever e produzir, ou melhor, o assunto que mais lhe desafia, afinal não é a facilidade que produz obras-primas e sim as verdadeiras dificuldades.

O verão de 2021/2022 é a hora das férias escolares e dos intervalos das atribulações cotidianas, quando tudo fica mais lento, e no caso aqui do sul, quando até o trânsito fica mais leve nos dias úteis, muito mais leve. Portanto, é hora de plantio, de revolver a terra para a semeadura de novas construções literárias e editoriais.

Não temos, como escritores e editores, quase mais nenhum apoio de leis de incentivo, que, ao que parece, ficaram somente para os grandes projetos, e não àqueles pequenos e tão saudáveis à bibliodiversidade. Mas prossigamos, não pensemos na viabilização de nossos projetos olhando para os problemas, enfrentemos por etapas, estudemos, pois, pesquisemos, e escrevamos e arquitetemos, porque a arte sim tem métodos, e o maior deles é o respeito à lógica da ciência e da boa comunicação: estudos, pesquisas, rascunhos e mais rascunhos, idealização do conjunto e produção.

E encerro este ano particularmente agradecendo a todos e todas pelo inestimável apoio recebido. Voltei animado ao PublishNews, que me recebeu de braços abertos, e voltei, vivo, sobretudo, ao mundo editorial, de onde andei afastado por quase um par de anos. E, claro, aos leitores amigos, porque a experiência de escrever neste espaço é cada vez mais fantástica e impressionante a cada comentário que recebo. Um feliz 2022 a todos os leitores e parceiros da jornada editorial e autoral.

Paulo Tedesco é escritor, editor e consultor em projetos editoriais. Desenvolveu o primeiro curso em EAD de Processos Editorais na PUCRS. Coordena o www.editoraconsultoreditorial.com (livraria, editora e cursos). É autor, entre outros, do Livros Um Guia para Autores pelo Consultor Editorial, prêmio AGES2015, categoria especial. Pode ser acompanhado pelo Facebook, BlueSky, Instagram e LinkedIn.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

[17/12/2021 12:30:00]
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