Reflexões profundas e conexões invisíveis
PublishNews, Redação, 20/09/2021
'Campo santo' é a reunião póstuma de textos de prosa e ensaios de W. G. Sebald, morto em 2001

Campo santo (Companhia das Letras, 272 pp, R$ 69,90 - Trad.: Kristina Michahelles), última coletânea de escritos de W. G. Sebald, morto precoce e abruptamente em 2001, oferece reflexões sobre muitos temas comuns na obra do autor, como o poder da memória e da história pessoal, as ligações entre imagens na vida e na arte ou a presença de espectros em lugares e objetos. O livro abre com alguns textos que prestam homenagem à Córsega, costurando o passado e o presente, e examinando, entre outras coisas, o efeito constitutivo da ilha no seu cidadão mais ilustre, Napoleão Bonaparte. Na segunda parte, composta de ensaios, Sebald examina, por exemplo, como as obras de Günter Grass e Heinrich Böll revelam a dificuldade dos alemães em lidar com o luto no pós-guerra; ou como Kafka faz eco do próprio interesse de Sebald pelas presenças fantasmagóricas entre os mortais; e como a literatura pode ser uma tentativa de restituição das injustiças do mundo real. Nabokov, Jean Améry, Peter Handke estão entre os que recebem uma leitura rica do escritor. Este livro póstumo confirma Sebald como um dos grandes escritores modernos, que desvendou e expressou as muitas conexões invisíveis que determinam as nossas vidas.

[20/09/2021 07:00:00]
Matérias relacionadas
Plataforma já conta com mais de 20 editoras e livrarias, incluindo algumas das maiores do mercado nacional
Milton Hatoum, Jeferson Tenório e Socorro Acioli participam de ciclo gratuito de debates no dia 22 de agosto; programação também marca o lançamento de edição comemorativa pela Companhia das Letras
A narradora e protagonista do livro precisa encontrar o pai, Viola, que viajou para ajudá-la a fechar o apartamento, mas desaparece
Leia também
Um jovem francês passa a trabalhar como garoto de programa para fechar as contas do mês. Nesse processo, fica obcecado pela foto de um desconhecido
O nascimento de Chareeya coincide com o instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai e, antes mesmo de abrir os olhos, a menina carrega a ferida do abandono
Marta Sanz reflete sobre a dor, a ansiedade, o envelhecimento, a vulnerabilidade econômica e a finitude da vida