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Uma análise das respostas estatais à polícia que mata
PublishNews, Redação, 09/08/2021
'Justiça e letalidade policial', de Poliana da Silva Ferreira, revela as regras que operam os processos de responsabilização quando quem aperta o gatilho é um oficial armado e a serviço do Estado

Em 2020, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostraram que o número de mortes resultantes de intervenção policial no país atingiu um recorde. Foram 6.375 vítimas de ações desse tipo, um aumento de 13,3% do total de mortes violentas registradas no Brasil. O assunto é densamente estudado por pesquisadores no campo das ciências sociais, ativistas e militantes antirracismo, mas o que a autora Poliana Ferreira da Silva traz em Justiça e letalidade policial (Justiça Plural / Jandaíra, 192 pp, R$ 54,90) é a proposta de uma nova perspectiva de investigação: por meio do estudo pormenorizado de um caso, a autora busca compreender, dadas as lógicas estruturais que permeiam as agências de controle social, quais são e como são mobilizados os mecanismos jurídicos de responsabilização da polícia que mata. Com base em exemplos concretos, a autora mostra as diferentes narrativas sustentadas no sistema de justiça e analisa o tratamento judicial dado nas três esferas do Direito – criminal, civil e administrativa –, sem se esquivar das relações complexas e descontínuas entre elas. A intenção não é a de acusar pessoas, mas de compreender as lógicas estruturantes que possibilitam a blindagem institucional da polícia.

[09/08/2021 07:00:00]
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