Uma breve comparação de dados sobre o consumo de audiolivros na França e no Reino Unido

Oliver Beldham apresenta dados sobre o mercado de audiolivros no Reino Unido, durante a Quantum Conference em Londres | © Lima Andruška
Em tempos de Brexit, um olhar comparativo dos mercados do livro da França e do Reino Unido pode ser bastante interessante. E uma feliz coincidência de eventos nas últimas duas semanas permite uma visão analítica de mercado de audiolivros nos dois países. Na
Conferência Quantum, que aconteceu no último dia 11, durante a Feira de Londres, o executivo Oliver Beldham, da Nielsen, fez uma apresentação sobre “O Mercado de Audiolivro em 2018” onde trouxe dados bastante interessantes sobre o mercado bretão. E, nesta semana, foi divulgado na França a nona edição do
Barômetro do Livro Digital, iniciativa das organizações Société Française des Intérêts des Auteurs de l’Écrit (Sofia), Syndicat National de l'Édition (SNE) e La Société des Gens de Lettres (SGDL).

Um dos slides apresentados por Oliver Beldham, da Nielsen, na Quantum Conference
Entre os dados apresentados pela Nielsen sobre o audiolivro no Reino Unido, destacam-se:
- Crescimento de 3,5% em valor dos audiolivros consumidos no período de 12 meses até novembro de 2018, se comparado aos 12 meses anteriores. No mesmo período, o mercado geral inglês teria crescido 0,4%, apontando aumento relevante do market share dos livros para ouvir.
- Em volume, as vendas de audiolivros cresceram 13% ano a ano e 128% se comparadas a 2014.
- A venda de audiolivros em formato físico vem declinando, enquanto todo o crescimento do áudio vem do formato digital e de streaming, o que resulta em 76% dos livros consumidos serem neste formato.
- O consumo via assinaturas já é utilizado hoje por 45% dos compradores de audiolivros ingleses.

A nona edição do Baromètre sur les Usages du Livre Numérique traz dados sobres os aparelhos utilizados para se escutar audiolivros
Já a pesquisa francesa é bastante focada em entender o consumidor de audiolivros:
- Entre a população acima de 15 anos, 14% já escutaram um audiolivro e outros 7% têm a intenção de fazê-lo. Na faixa de 15 a 24 anos, o primeiro número sobe para 21%.
- Ainda assim, trata-se de um mercado emergente, pois 51% dos usuários franceses de audiolivros não ouviram nenhum livro no último ano.
- O hábito tampouco está muito alastrado: só 5% dos usuários da França ouviram mais que 20 livros no último ano; e apenas 24% deles escutaram um livro no último mês enquanto 70% leram um livro físico.
- As bibliotecas públicas francesas têm um papel crucial no consumo de audiolivros, pois enquanto 34% dos usuários preferem comprar audiolivros digitais, uma parcela semelhante, de 30%, prefere emprestá-los em bibliotecas. O empréstimo entre particulares ficou com 17% da preferência, enquanto a compra de audiolivros físicos alcançou apenas 14%, coincidindo com a tendência apresentada no mercado inglês.
De forma mais direta, podemos comparar os aparelhos preferidos pelos audioleitores franceses e ingleses. No Reino Unido, por exemplo, 71% dos usuários utilizam seus smartphones, 36% seus tablets e 28% seus laptops, e nos últimos dois anos há forte tendência de crescimento dos smartphones em detrimento dos outros dois. Em seguida aparecem iPods com 15%, aparelhos automotivos com 16%, e-readers com 12%, assistentes digitais com 11% e wireless speakers com 10%.
Já na França, 43% do usuários utilizam seus smartphones, 33% seus tablets e 31% seus laptops, o que não é um cenário muito diferente do Reino Unido. E 10% dos audioleitores franceses também já utilizam assistentes digitais para ouvir seus livros.
Outra comparação mais direta que pode ser feita entre os dois países europeus refere-se aos gêneros consumidos pelos usuários. Na França 30% dos audioleitores ouvem romances policiais, seguidos por romances contemporâneos com 23%, romances clássicos com 22%, livros de ensino secundário com 13% e audiolivros de história com 13%. No Reino Unido, romances policiais e thrillers também são o gênero mais consumido, escutado por 18% dos usuários. A seguir vêm ficção geral com 13%, infantil com 12%, ficção científica e fantasia com 8% e psicologia popular com 3%.
Finalmente, a pesquisa apresentada pela Nielsen traz um dado curioso. Quando os usuários ingleses foram questionados sobre o que eles não gostavam nos audiolivros ou o que os impedia de consumi-los mais, 21% deles apontaram o fato de não gostarem da voz do narrador e 20% reclamaram do preço. Mas o mais interessante é que 19% simplesmente declararam preferir os livros tradicionais. Seria no mínimo divertido saber qual seria este número na França.