Recuerde, diz a placa imperativa em espanhol, enquanto o
retrovisor do automóvel mostra o que já ficou no passado. “Eu tenho uma coleção
de esquecimentos e apenas duas mãos pra ver o mundo”, lamenta o “super-homem
submisso” que não alcança o ritmo dos acontecimentos. Resta observar coisas
mínimas como uma formiga ou imensas como o universo e seus astros. O tempo e o
espaço, a insignificância e a morte são os principais temas do livro de Arnaldo
Antunes,
Agora aqui ninguém precisa de si
(Companhia das Letras, 152 pp, R$ 34,90), vencedor do Prêmio Jabuti na
categoria poesia, onde seus textos oscilam entre o humor e a desilusão.
Alternando poemas em verso e visuais, fotografias e “prosinhas”, a obra é
marcada pela pluralidade, pelo registro pop e pela sonoridade, tão próprios ao
artista, que assina também o projeto gráfico. Um diálogo sensível e desafiante
com o homem contemporâneo.