Um profundo
mal-estar assombra a Europa. De um lado, todos sabem que o continente não está
mais na vanguarda de nada, e que diariamente perde terreno para outras regiões
do mundo, em crescimento econômico, pesquisa científica, influencia e poder e
por outro lado a Europa está enrijecida, muito em função daqueles que estão
hoje confortavelmente seguros e que temem perder as suas vantagens. Em
A nova síndrome de Vichy – Por que
intelectuais europeus se rendem ao barbarismo
(É Realizações, 192 pp, R$
49,90 – Trad.: Maurício G. Righi), Theodore Dalrymple remonta o mal-estar
europeu até as duas guerras mundiais do século passado, com os seus
desastrosos, embora compreensíveis efeitos sobre a autoconfiança da população
do continente. Como resultado de seu passado recente, os europeus não acreditam
mais em nada, exceto na segurança econômica, no aumento do padrão de vida, na
redução da jornada de trabalho e na ampliação das férias em lugares exóticos.
Como consequência, não conseguem estar à altura dos desafios que os assaltam,
seja no tocante à crescente penetração islâmica na Europa, seja em relação à
crescente competitividade da economia mundial.