Richard Brautigan teve uma vida tão incomum que seria digna de uma das ficções escritas por ele. Aos seis anos, foi abandonado em um quarto de hotel junto com a irmã de apenas dois. Aos 20, ele pediu para ser preso porque já não aguentava mais passar fome e frio. Da prisão, seguiu para um hospício e foi diagnosticado com esquizofrenia e depressão. Após terminar a terapia com eletrochoques, começou a escrever e publicar seus primeiros livros de poesia. Em 1967, lançou o romance
Pescar truta na América. No ano seguinte, publicou
Açúcar de melancia (José Olympio, 240 pp.; R$ 34,90 – Trad. Joca Reiners Terron), que ganha sua primeira edição no Brasil. O livro mostra, por meio de um narrador que nunca diz seu nome, a rotina dos moradores e dos vizinhos do vilarejo euMORTE. Apesar do nome curioso e da paisagem mágica, como rios com um centímetro de largura, o lugar se assemelha a uma cidade qualquer. Ao longo da narrativa, no entanto, os personagens começam a assumir posturas assustadoras.