Num verdadeiro surto criativo, Viktor Chklóvski recorre aos mais variados assuntos neste romance epistolar
Exilado em Berlim nos anos 1920 junto com muitos outros artistas e escritores russos, Viktor Chklóvski, um dos principais teóricos do Formalismo Russo, apaixonou-se pela jovem escritora Elsa Triolet e passou a lhe enviar cartas diariamente. Ela aceitou as cartas, impondo uma única condição: que elas não falassem de amor.
Zoo, ou Cartas não de amor (
Editora 34, 195 pp, R$ 65 — Trad.: Vadim Nikitin) é o romance epistolar resultante dessa correspondência. Num verdadeiro surto criativo, Chklóvski recorre aos mais variados assuntos para lidar com a proibição: a vida no exílio, a guerra, as diferenças entre Moscou e Berlim, a transformação da vida pelas máquinas, retratos de figuras como Khliébnikov, Chagall e Pasternak. Recorre também a diversos gêneros literários: prosa poética, ensaio, fábula, memória... Esta criteriosa tradução de Vadim Nikitin se baseia na última edição revista pelo autor, de 1966, e inclui uma introdução do crítico e tradutor Richard Sheldon e um perfil biográfico de Elsa Triolet.