
Dois tipos de comentários eram frequentes no mercado editorial brasileiro nos últimos meses. O primeiro que a Amazon iniciaria sua operação de livros físicos no Brasil nos próximos dias. O segundo que a Amazon estava devagar demais tanto nas vendas de livros digitais quanto no lançamento do e-commerce de livros de papel, e que não estava fazendo jus às expectativas. Houve até quem dissesse que a Amazon sairia do Brasil. Mas a partir de hoje, 21/8, os comentaristas profissionais do mercado editorial terão que procurar outros assuntos. Afinal, a loja da Amazon de livros físicos está finalmente entrado no ar em www.amazon.com.br/livros.
E se a gigante de Seattle parecia devagar para montar sua operação física no Brasil, o catálogo de 150 mil livros em português que ela está oferecendo no Brasil explica a razão desta demora. Afinal, este número é praticamente o total de livros físicos brasileiros em catálogo - e montar um catálogo exige tempo. Considerando-se a baixa qualidade dos metadados brasileiros e a rede de distribuição de livros ainda limitada no Brasil, pode-se dizer que a Amazon andou bem rápido. E que seus funcionários podem ser qualquer coisa, menos lentos.
Para abastecer seu estoque, a Amazon negociou com distribuidores, mas também direto com várias editoras. Os seis distribuidores que abastecerão a filial brasileira de Jeff Bezos são Bookpartners, Disal, Acaiaca, Superpedido, Catavento e i-Supply. A empresa não foi agressiva em sua negociação de descontos com as editoras, o que pode ser um sinal de que não enfocará tanto nos descontos para conquistar clientes. Em muitas editoras os descontos negociados para a aquisição de livros pela Amazon foram menores daqueles praticados com outros grandes varejistas.
A logística, segundo matéria do Valor Econômico, está a cargo da Luft, que antes atendia a extinta operação de comércio eletrônico do Carrefour. A seguir os principais destaques do mais novo e-commerce de livros no Brasil:
Agora é esperar para ver qual será a performance da Amazon no Brasil. Mas a verdade é que as dificuldades logísticas nacionais não impediram a empresa norte-americana de se lançar no Brasil com um catálogo de gente grande. Resta saber se os consumidores brasileiros serão seduzidos pelo canto das sereias amazônicas.
Carlo Carrenho, editor colaborador do Publishing Perspectives, é consultor editorial brasileiro radicado na Suécia e membro da consultoria Alpine Global Collective.
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