O livro que trabalhamos no editorial é um livro despedaçado e nossa função é juntar todas as partes em uma ordem (lógica) e fazer com que cada pedaço “converse” com todos os outros pedaços de forma que o leitor perceba a leitura do livro completo como um único discurso do autor. Isso inclui a correta inserção de ilustrações, mapas, gráficos ou o que mais vier. Geralmente recebemos por e-mail as diversas partes do “livro propriamente dito”, como por exemplo: capítulo 1, orelha, prefácio, índice etc. E aqui começa o que chamei de metodologia em colunas anteriores.
Partindo do princípio de que estamos no mínimo fazendo 10 livros ao mesmo tempo, receber e salvar um arquivo como “capítulo 1.doc” é um convite à errata. O editorial deve ter um método único para salvar arquivos e, apesar de esse assunto parecer bobo, ele pode custar muito caro para a editora ou para o funcionário do editorial (normalmente, custa caríssimo para ambos), que pode enviar o arquivo errado para a etapa seguinte e gerar o famigerado retrabalho. Ok, mas quais são essas etapas? Depende de algumas respostas, como: é reedição ou primeira edição? O original está em português ou necessita de tradução? É ficção, não ficção, infantil, didático? E então, apenas depois dessas respostas, entramos no “processo de edição de um livro”.
Considerando exclusivamente a primeira edição, que geralmente é a mais trabalhosa, coloco abaixo as etapas citadas em todos os e-mails que recebi como resposta à enquete:
Além destas, foram citadas etapas da produção de linhas editoriais específicas, como indexação e revisão técnica / revisão crítica (livros não ficção), liberação do autor (obras nacionais), produção de pauta para ilustrações e iconografia (infantil / didático), e o trabalho do editorial, ora chamado de “edição” ora de “verificação interna”.
A partir da próxima coluna entraremos na análise de cada etapa, analisando os aspectos de escopo, qualidade, tempo, comunicação, risco, recursos humanos e contratos. Mas, além disso, proponho que discutamos também, no mínimo, cinco coisas que me chamaram a atenção nessa lista: A primeira foi a pequena quantidade de etapas-padrão. A segunda foi a variedade de terminologias usadas para essas etapas. A terceira, a variedade de cargos dos profissionais que me responderam. A quarta, o fato de nenhuma das respostas falar sobre imagens nem da produção da capa. E a quinta, todos falarem de pré-impressão ou fechamento do arquivo ou do envio para impressão em gráfica.
Aguardo sua opinião em enquete@publishnews.com.br
Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela UFF. Em 2015, cursou o Yale Publishing Course e, em 2020, iniciou a especialização em Negócios Digitais, da Unicamp. Trabalha em editoras há uns 15 anos. Na Intrínseca, onde trabalhou por 7 anos, foi criadora e gerente do departamento de edições digitais e editora de livros nacionais. Atualmente, é editora de livros digitais da Globo Livros.
Escreve quinzenalmente, só que não, para o PublishNews. Sua coluna trata de mercado editorial, livros e leituras.
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