Ademir Barbosa Júnior vence terceira edição do Prêmio Pallas de Literatura
PublishNews, Redação, 26/08/2026
Autor foi escolhido entre 152 inscritos com o livro de contos 'A pombagira do fim do mundo e outros contos', que será publicado pela editora no primeiro semestre de 2027

Ademir Barbosa Júnior, vencedor da premiação © Divulgação
Ademir Barbosa Júnior, vencedor da premiação © Divulgação

Ademir Barbosa Júnior, o Pai Dermes de Xangô, é o vencedor da terceira edição do Prêmio Pallas de Literatura. O autor foi escolhido entre 152 inscritos de diferentes regiões do país com A pombagira do fim do mundo e outros contos, reunião de 14 histórias que será publicada pela editora carioca no primeiro semestre de 2027.

Esta foi a primeira edição do prêmio dedicada ao conto, depois de dois anos voltados ao romance. Criada em 2024, quando a Pallas Editora iniciava as comemorações pelos seus 50 anos, celebrados em 2025, a premiação é destinada a escritores negros. Segundo a editora, a mudança de gênero buscou ampliar as possibilidades de participação e alcançar autores que nem sempre dispõem do tempo necessário para se dedicar à escrita de um romance.

“A mudança de romance para conto traz mais autores e mais possibilidades. Há bons autores que nem sempre têm disponibilidade para se dedicar à escrita de um romance, que não é nem mais nem menos importante que o conto, mas exige mais tempo e dedicação. Acho que é um marcador de democratização do prêmio”, afirma Cristina Fernandes Warth, editora da Pallas, em nota à imprensa.

Em 2024, a vencedora foi a multiartista brasiliense Tatiana Nascimento, com o romance Água de maré. No ano seguinte, a obra escolhida foi Malhada das graúnas, da médica pernambucana Márcia Moura. Ademir é o primeiro homem a vencer a premiação.

Nesta terceira edição, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia concentraram o maior número de participantes, mas também houve concorrentes do Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros estados. Na primeira etapa da seleção, Carlos Eduardo Pereira e Calila das Mercês escolheram 12 obras. Em seguida, Eliana Alves Cruz e Marcelo Moutinho, ambos já vencedores do Prêmio Jabuti na categoria Contos, avaliaram os livros pré-selecionados e escolheram o trabalho de Ademir.

Para Eliana, A pombagira do fim do mundo e outros contos se destacou pela combinação de elementos pouco usuais na literatura brasileira contemporânea. “Uma obra que se sobressaiu das demais pelo humor, pelo inusitado e pela coragem de incluir elementos do panteão das religiões de matriz africana misturados com cotidiano de um país rico em tipos populares e em usar muito do erotismo e desse humor escrachado, tudo numa dose muito equilibrada e com desfechos surpreendentes”, pontua, no material de divulgação.

Tatiana Nascimento e Márcia Moura, vencedoras da edições anteriores © Daisy Serena e Kelly Oliveira
Tatiana Nascimento e Márcia Moura, vencedoras da edições anteriores © Daisy Serena e Kelly Oliveira

Entre literatura e religiões de terreiro

Nos contos vencedores, situações aparentemente ordinárias ganham contornos extraordinários e transitam entre as relações cotidianas e o universo sagrado das religiões de terreiro. Dirigente de uma tenda de Umbanda, ogã de Candomblé e autor de dezenas de livros sobre religiões tradicionais de terreiro, Ademir faz questão de separar sua ficção de um caráter doutrinário.

“O que importa é o verossímil, não a verdade ou o retrato de uma suposta realidade. O conto ou poema que se vale da espiritualidade das religiões de terreiro não é uma palestra, um bate-papo sobre história, fundamentos e doutrinas. É criação, recriação. Tem de ser literatura”, afirma, no release.

Nascido em Piracicaba (SP), em 1972, Ademir Barbosa Júnior é escritor, pesquisador, professor e dirigente da Tenda de Umbanda Caboclo Jiboia e Zé Pelintra das Almas. Conhecido também como Pai Dermes de Xangô, é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente realiza pós-doutorados em Comunicação, na Universidade Paulista (UNIP), e em Ciências da Religião, na PUC-Campinas.

Autor de mais de uma centena de livros, dezenas deles publicados, tornou-se especialmente conhecido pela produção ligada às religiões de terreiro, embora a ficção acompanhe sua trajetória desde os primeiros livros. Entre seus títulos estão Memórias do presidente, premiado no 1º Festival Universitário de Literatura; O sapo voador, selecionado para programas de leitura do governo federal; o romance policial Quem matou João Paulo; Walter Wanted ou o Evangelho Queer de São José; e Filé à cubana.

“Comecei a publicar com ficção em sentido amplo, nunca deixei de fazer e ainda tenho muitos inéditos. Só não apareciam tanto. Com o Prêmio Pallas de Literatura, esse trabalho fica mais evidente”, diz o escritor.

A escolha surpreendeu também a editora. “É um autor muito ligado ao universo afro-brasileiro, um sacerdote, um estudioso das religiões, que tem muita coisa publicada nessa área, mas que tem um veio literário. E os contos são divertidos, são instigantes. São retratos de trabalhadores e do cotidiano muito atual, muito ligado ao universo das religiões afro-brasileiras. Para mim, foi uma grande e boa surpresa”, diz Cristina.

Além da publicação de A pombagira do fim do mundo e outros contos, prevista para o primeiro semestre de 2027, Ademir receberá mentoria literária do escritor Henrique Rodrigues, curador do Prêmio Pallas e colunista do PublishNews, durante o processo de preparação e lançamento da obra.

[26/08/2026 09:07:29]
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