O retrato de um personagem shakespeariano permite decifrar a Esfinge da extrema direita
A era de Ricardo III (
Autêntica, 240 pp, R$ 67,90), de João Cezar de Castro Rocha, mostra como o retrato de um personagem shakespeariano permite decifrar a Esfinge da extrema direita, que, mesmo quando derrotada, segue devorando seus adversários. No papel inédito do vilão que não oculta seus propósitos, antes ostenta seu repertório de vilanias com orgulho e destemor, Ricardo III anuncia sem pudor: "Estou decidido a mostrar-me um vilão". Em seu caminho ao centro do poder, ele anuncia as desfaçatezes e as torpezas de que será capaz e, ainda assim, triunfa. Estamos no universo da forma-Ricardo III , que se regozija com as maldades que planeja, e goza com a perspectiva da anarquia que precisa instaurar para sentar-se no trono.