
Todo território é feito de muitas histórias. Ao todo, 143 escritores e 15 artistas visuais do Guará (região administrativa do Distrito Federal) se reuniram para contá-las em Do Guará: Coletânea artística, livro a ser lançado com festa no dia 21 de julho, às 19h, no Teatro da Administração Regional (SRIA II, QE 25, Área Especial do CAVE, em Brasília/DF), durante a 2ª edição do Festival do Guará. Considerado um dos maiores registros da produção cultural da região, o livro apresenta contos, crônicas, poemas, relatos e obras visuais inspirados na história e no cotidiano da região. A programação inclui ainda um sarau literário e a abertura da Exposição de Artes do Guará.
Resultado de um processo seletivo realizado em abril, a coletânea reúne autores com trajetória consolidada na cena cultural do Distrito Federal e novos talentos. Nomes como Marcos Fabrício Lopes da Silva, Hamilton Zen, Sandra Fayad, Gustavo Dourado e Quipoeta dividem espaço com dezenas de escritores e artistas visuais que ajudam a compor um mosaico de diferentes experiências de viver, criar e pertencer ao Guará.

"Reunimos escritores e obras visuais na tentativa de construir um retrato possível da alma do Guará. No processo seletivo, buscamos identidade a partir de um critério claro: Cada colaborador precisava ter um vínculo de afeto com este território e seu povo. Cada pessoa que assina este livro reconhece, à sua maneira, que faz parte da comunidade", afirma Rafael Souza, da organização do Festival, em nota oficial.
Além do lançamento da coletânea, o evento servirá para abrir a Exposição de Artes. Reproduzidas em serigrafia, as obras passarão a integrar uma coleção permanente, ampliando o acesso do público à produção artística local e contribuindo para a preservação da memória do Guará. A noite será encerrada com um sarau literário aberto ao público, aproximando autores, artistas, leitores e moradores.
Realizado pelo Instituto Latinoamerica, com produção da Deu Certo e do Jornal do Guará, em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), do Ministério da Cultura, e apoio da Administração Regional do Guará, o projeto busca preservar a memória cultural da região e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade.
A programação da 2ª edição do Festival do Guará continua em 1º de agosto, com o Calçadão Cultural (entre QE 13 e QE 21), que ocupará nove pontos do Guará II, das 16h às 21h, com apresentações musicais, literatura, artes visuais, oficinas, atividades esportivas e manifestações da cultura popular protagonizadas por artistas e coletivos locais.
Vai aqui um cordel do livro, em primeira mão, para os leitores do PublishNews:
Guará: que lindeza de lugar pra morar
(Onã Silva)
O meu povo, sunte bem,
O meu cordel, espia ca,
Vou conta uma história
Procê sempre alembra
Sobre a minha cidade
A lindeza do Guará.
Foi assim que sucedeu
Quando JK inventa Brasília, em
construção,
Lá nos idos de sessenta
Chegaram muitos candangos
Na capital, ali assenta.
Sucedeu no mês de maio
Dia cinco na folhinha
Pras familias novo lar
Que bença sua casinha
Assim começou o Guará
Mode que tal nome tinha?
Bora pra explicação
Sobre tal nome fala
Alembre que o DF
No centro-oeste esta
E a terra do cerrado
Aqui tem lobo guará.
Voltando para a história
Como evoluiu o Guará?
Oxe, a cidade cresceu,
Nela tem tudo que há:
Escolas, bancos e parques,
Famosa feira ali está.
Que nem Feira do Mangai
Tem de tudo, te cordel,
Tem peixe e rapadura,
Buchada, sarapatel,
Rede, roupa e precata,
Trancilim, misse e anel.
O Guará tem muita arte
Lugar cheio de artista:
Tem ator, cantor e músico,
E dançarino na pista
DJ, mágico, pintor,
Poeta e cordelista.
O nordeste guaraense
Amostra a tradição
Deste povo animado
Na Festa de São João
Asa Branca na sanfona
Pra lembrar o Gonzagão.
Olhai o céu do Guara
Olhai seu brilho do sol
Pare um pouco, ouça,
Passarim e rouxinol
Lá no Parque Ezechias
Tem flores e girassol.
Oxe, amo esse lugarzim
Que lindeza de Guará
Merece muitas salvas
Simbora co’ ela festa
Visse que essa cidade
No DF sempre brilhara.

