Obra de Reinaldo Moraes combina um registro obsceno com uma escrita elaborada e inventiva
A trama de
Noitada (
Todavia, 508 pp, R$ 119,90), de Reinaldo Moraes, é simples: tudo se passa em uma noite, entre os mesmos poucos personagens, quase todos velhos conhecidos dos leitores mais fiéis da obra do autor. Mas à medida que os diálogos avançam, mergulhamos num universo hedonista e cheio de humor, em que figuras carimbadas da elite progressista paulistana — o escritor maldito, a editora feminista, a herdeira maluquete — se mostram por inteiro em suas contradições. A descida é vertiginosa e evoca o Marquês de Sade não apenas na libertinagem, mas também no enfoque de um grupo isolado num prédio chique em busca de prazer enquanto o país convulsiona a seu redor.