
Uma foi fundada em 1998 e a outra, em 2013, no Rio de Janeiro. Em comum, o olhar apaixonado para livros de crônica, especialmente aqueles ligados à história da cidade, à vasta cultura popular e ao imaginário das ruas — espaço sagrado para a literatura desde os tempos de João do Rio (1881-1921) e Julia Lopes de Almeida (1862-1934), autores que colocavam a lupa sobre as brechas da cidade.
Estamos falando da editoras Folha Seca Edições e Mórula Editorial, que lançaram essa semana o primeiro livro em parceria: Ai de nós, Copacabana — Crônicas de amores e afetos da gente carioca, do jornalista e escritor Alexandre de Medeiros. “Essa parceria é um sonho antigo, por conta das nossas afinidades. Não é uma questão utilitária", avisa Rodrigo Ferrari, fundador da Folha Seca, que também é uma livraria instalada no sobrado 37 da tradicional Rua do Ouvidor, Centro do Rio.
De acordo com Vitor Castro, editor da Mórula, a parceria nasceu para ampliar a circulação dos catálogos das duas casas. "Depois de várias conversas no balcão da livraria, finalmente concretizamos a ideia de publicar conjuntamente." Quando surgiu a proposta de editar este livro do Alexandre, com uma foto de encher os olhos do mestre Custódio Coimbra na capa, apareceu a oportunidade que ambas acalentavam.
Dobradinha que já inclui uma tabela para a Copa do Mundo de 2026, que está sendo distribuída gratuitamente aos clientes da livraria, como uma espécie de aperitivo da parceria. A partir de agora, serão muitas novidades na praça. O designer Leo Boechat, que há anos produz as capas da Folha Seca, e Patricia Oliveira, designer da Mórula, assinarão alternadamente os títulos em parceria.
Já existem outros lançamentos engatilhados, como uma reedição do clássico Guimbaustrilho e outros mistérios suburbanos (publicado pela Dantes, em 2001), escrito pelo polivalente Nei Lopes, e uma nova biografia do craque argentino Narciso Doval (1944-1991), ídolo lá e também aqui, sucesso em campo nos rivais Flamengo e Fluminense, escrito por Federico Bardini. Também vêm aí um livro de crônicas do jornalista e escritor Luiz Pimentel.
"Torço para que mais editoras independentes surjam e publiquem mais e mais livros. Não vejo outras editoras como concorrentes. Como somos pequenos, a parceria surge com esse propósito também de ampliar os públicos”, pontua Vitor. A ideia é que o leitor da Mórula descubra a Folha Seca, e que os frequentadores da Folha Seca se interessem pelo catálogo da Mórula. Mais do que dividir custos, as duas editoras apostam mesmo é na circulação de seus livros e na aproximação de seus leitores.


