
A partir de uma linguagem direta e imagética, a jovem mobiliza figuras caninas e lupinas para explorar a tensão entre domesticação e instinto. Os poemas percorrem temas como a submissão forçada, o rompimento com expectativas externas e a retomada de uma identidade mais selvagem, em textos que apostam em imagens intensas e, por vezes, violentas.
“Acredito que tenho uma personalidade um tanto quanto obsessiva. Tenho tendência a me jogar de cabeça e com 100% de interesse nas coisas e com isso acabei percebendo que as pessoas me chamam de leal quando às vezes eu só estou obcecada com algo”, reflete a autora ao PublishNews.
O livro nasceu a partir de uma oficina da própria editora Mondru e foi escrito ao longo de oito meses. Segundo Gabriela, o processo buscou um afastamento consciente de referências diretas na literatura. “Tentei não me deixar influenciar por outros autores para buscar uma voz mais original e minha”. Ainda assim, ela aponta o filme Dog’s Dinner, de Sofia Isella, como uma influência no percurso criativo.
"Os meus poemas mudaram um pouco de tom desde o meu primeiro livro, mas já dava pra ver lá que eu gosto bastante de uma linguagem mais bruta, violenta ou visceral. Gosto de usar imagens um pouco mais chocantes e não tão delicadas e trabalhei bastante isso em Tendências Caninas. Tentei deixar as amarras das expectativas mais soltas e falar abertamente como eu me sinto. Os meus próximos projetos já estão nascendo com esse tom mais selvagem", afirma a poeta ao PN.


