
José Vicente se destaca no cenário brasileiro como personagem de grande desenvoltura nos gabinetes dos poderes econômicos e políticos: “Sua trajetória é um testemunho do poder da união e da cooperação postos a serviço de uma causa que vale a pena, que precisa de todos. O negro saiu das páginas policiais e esportivas da mídia para as editorias de economia, ciência, política. Deixou de ser empregado ou bandido nas telenovelas, para ser protagonista e exemplo”, acentua Viveiros, ao complementar que a biografia trata de um projeto de Brasil esperançoso, "em que todos, independentemente da cor, possam sonhar, estudar, trabalhar e viver com dignidade. Conquistar por mérito próprio a tal da felicidade”, observa o autor na apresentação da obra.
A história de José Vicente

José Vicente é doutor em Educação e mestre em Ciências Jurídicas e Administração e fundador da ONG Afrobras, do Prêmio Raça Negra e outras relevantes iniciativas, sobretudo a UniPalmares, singular na América Latina. A universidade surgiu quando as cotas raciais ainda eram tema de acalorado debate, mas José Vicente não hesitou em marcar sua posição.
Em 2004, a faculdade abriu suas portas com 50% de vagas reservadas para estudantes negros. De lá para cá, formou milhares de profissionais: “Ao levantar a si mesmo, o biografado levou com ele quantos pôde e segue fazendo isso com respeito, educação, cultura e inclusão no mercado de trabalho”, ressalta Viveiros.
José Vicente cresceu na Marília dos anos 1960, no interior paulista, jogando futebol com os meninos no Morro do Querosene, frequentando os bailes de domingo e trabalhando como engraxate e boia-fria. Descobriu a música. Tocou em bandas, escreveu poesias, compôs canções e se apresentou em festivais. Fazendo “bico” como pintor de paredes, prestou o concurso para soldado da Polícia Militar. Mudou-se para a capital, onde retomou seus estudos e se formou em Direito.


