Coletânea revisita momentos centrais da atuação de Lebrun no Brasil, incluindo sua interlocução com Michel Foucault
Quando Gérard Lebrun chega à Universidade de São Paulo, em 1961, encontra uma cultura em ebulição. Professor recém-formado, com pouca experiência docente, nada indicava tratar-se de um filósofo maduro, escritor consumado e polemista vigoroso. Mas essas qualidades logo se evidenciam a partir de 1962, quando começam a surgir textos e ensaios que transitam entre o comentário dos clássicos e questões de filosofia contemporânea. É nesse contexto que
A racionalidade equívoca: inéditos e dispersos (
Editora Unesp, 350 pp, R$ 79), de Gérard Lebrun, organizado por Ruth Lanna e Pedro Paulo Pimenta, reúne materiais escritos entre 1962 e 1966, período em que sua atividade se estende também à Aliança Francesa de São Paulo e à Maison de France, no Rio de Janeiro. A coletânea revisita momentos centrais da atuação de Lebrun no Brasil, incluindo sua interlocução com Michel Foucault, que chega à USP em 1965 para ministrar um curso baseado no manuscrito de
As palavras e as coisas. Quando retorna à França, em 1966, Lebrun deixa um rastro intelectual que, como diria Bento Prado Jr., inaugura uma nova era para a filosofia paulista, marcada pela especialização e pelo rigor formal.