
O livro representa um manifesto e uma comemoração. Com uma antologia de quadrinhos da última década com foco em diversidade e apresentação de mais de 200 quadrinistas para conhecer, ler e seguir, o livro se destaca pela memória deste tempo de atuação e reflexões que abrem possibilidades de diálogo para o presente e futuro do universo dos quadrinhos.
Curadoria crítica e formação de leitores
A Mina de HQ atua em diversos campos — site, revista, newsletter, clube de leitura — e tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de quadrinistas mulheres cis e pessoas trans, e às diferentes formas de representação de gênero nas HQs.
Em dez anos de atuação, a Mina de HQ busca descentralizar o olhar concentrado no eixo Rio–São Paulo e ampliar o acesso a narrativas plurais. Essa abordagem, que alia crítica, pesquisa e difusão, rendeu à plataforma prêmios como o Troféu HQ Mix, o Angelo Agostini e uma indicação ao Prêmio Jabuti, em 2022.
“Fazer curadoria significa ter um olhar crítico para construir narrativas por meio da escolha do que mostrar e como mostrar. É intencionalidade. Na curadoria de histórias em quadrinhos que faço, seja para os canais da Mina de HQ, eventos, coletâneas, editoras ou outros propósitos, destaco obras e artistas que dialogam com certos temas, movimentos artísticos ou momentos históricos. Ou seja, fazer curadoria é dar sentido ao conjunto e ajudar o público a descobrir e compreender de forma mais profunda aquilo que está sendo apresentado”, explica Gabriela Borges.
Gabriela e Daniela são amigas e companheiras nesta luta há muitos anos, desde os tempos que antecederam a MHQ. Gabriela fundou o projeto e Dani se tornou essencial em seu aprofundamento e continuidade. Este livro é fruto de sentidos construídos coletivamente e de experiências das quais participaram de forma orgânica, razão pela qual adotaram a escrita em primeira pessoa e com um tom intimista que agrega e contextualiza a leitura.
“Durante a confecção do livro, me dei conta do meu protagonismo nas ações que promoveram maior alcance e divulgação dessas mulheres em um meio ainda muito machista, e é uma sensação muito empoderadora. Possibilitar que futuras quadrinistas e leitores entendam os caminhos percorridos para que cada vez mais mulheres estejam entre finalistas de prêmios e em publicações diversas é uma honra que tenho um grande prazer em compartilhar com todo mundo que nos lê”, diz Dani Marino.
“Esse livro é um dos maiores projetos da minha vida e não só no tamanho. Ele reúne dez anos de caminhada com a Mina de HQ, uma trajetória construída com afeto, escuta, crítica, feminismo e muita teimosia. Publicar essa obra é um gesto de memória e de afirmação: nós - que lemos e fazemos quadrinhos - sempre estivemos aqui. Além de uma leitura prazerosa e inspiradora. Essa é uma publicação coletiva e política, porque contar nossas histórias também é uma forma de disputar o presente e desenhar futuros possíveis”, diz Gabriela Borges.
O livro vem com um pôster encartado (a ilustração que figura na capa), da artista Helô D’Angelo. Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta, fundadoras do Lady’s Comics, assinam o prefácio.
“Quero que este livro chegue às mãos de quem já acompanha a Mina desde os primeiros posts, mas também de quem ainda não sabe que quadrinhos podem ser ferramenta de resistência, educação e transformação.”, finaliza Gabriela Borges.

