
Entre 2.451 inscrições (684 romances, 599 coletâneas de contos e 1.168 originais de poesia), despontaram o paulista Marcus Groza, vencedor da categoria Romance; o baiano Abáz, escolhido na categoria Conto, e o mineiro Leonardo Piana, que levou prêmio na categoria Poesia. Os três são estreantes nas suas categorias, mas já afinados na arte de narrar.
Cada vencedor receberá R$ 30 mil e terá a sua obra publicada pela Editora Senac Rio, com distribuição em livrarias físicas, digitais, escolas e bibliotecas do Sesc em todo o Brasil. Além disso, os três participarão de eventos literários promovidos pela instituição ao longo de 2026. Um dos concursos literários mais tradicionais do país, o Prêmio Sesc de Literatura nasceu em 2003 e já revelou nomes destacados da ficção no país, como os recentes Bethânia Pires Amaro e Airton Souza, mais Luisa Geisler e Tobias Carvalho, e muitos outros.
Em Goiás, romance de estreia de Marcus Groza, a memória, a crítica social e a poesia se entrelaçam em uma trama de forte carga simbólica e emocional. O protagonista é um cachorro caramelo — figura que permeia o imaginário popular do Brasil —, aqui transformado em emblema de resistência, alegria e dor diante da crescente devastação ambiental e humana. Poeta, dramaturgo, professor e encenador, Groza amplia agora o seu repertório artístico ao estrear na prosa longa.
Em Massaranduba, primeiríssimo livro de Abáz, a tragédia e a comédia se alternam para dar corpo ao cotidiano das periferias, onde a violência divide espaço com o afeto e a fé. Professor da rede municipal de São Paulo, o autor estreia em livro com uma coletânea de contos que aposta na oralidade e na força das pequenas histórias que ecoam nas bordas da cidade.
Já Leonardo Piana, duas vezes vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, conhecido pelos romances Sismógrafo (Edições Macondo, de 2022, finalista do Jabuti e do São Paulo de Literatura) e Tarde no planeta (Autêntica Contemporânea, de 2025), faz sua estreia na poesia com Escalar cansa. Inspirado na mitologia grega, o livro recupera mitos ancestrais para falar de identidade, resistência e memória familiar, reafirmando o vigor literário de um autor que transita entre gêneros com a mesma intensidade.
Para Veronica Tomsic, gerente de cultura do Departamento Nacional do Sesc, a importância do prêmio vai além da revelação de talentos: “Acreditamos que a literatura é um instrumento essencial de transformação e nos orgulhamos de contribuir para a renovação do nosso panorama literário”, disse, em nota enviada à imprensa.