'Berg', livro de estreia de Quin, acompanha um protagonista que se instala em uma pensão com a intenção de matar o próprio pai
Publicado originalmente em 1964,
Berg (DBA, 184 pp, R$ 76,90 – Trad.: Gisele Eberspächer) é o livro de estreia de Ann Quin, escritora britânica que desafiou os limites do romance moderno e se tornou um nome cult da literatura do século XX. Ambientado em uma cidade costeira da Inglaterra — cinza, úmida, quase espectral —, o romance acompanha um protagonista que se instala em uma pensão com a intenção de matar o próprio pai. O plano rapidamente se embaralha em uma espiral de delírios, silêncios e vozes alheias, como se a própria linguagem estivesse prestes a se desfazer. Quin escreve uma prosa marcada por cortes abruptos, digressões e uma atmosfera entre o noir e o surreal. Influenciada pelas modernistas Virginia Woolf e Anna Kavan, e pelo Nouveau Roman francês e sua radicalidade formal, a autora é comparada com nomes de vanguarda como Nathalie Sarraute, Marguerite Duras, Samuel Beckett e William Burroughs. Entre 2025 e 2026 a DBA Literatura vai publicar, além de
Berg,
Three e
The Unmapped Country (os dois últimos ainda sem título em português), em uma iniciativa que reivindica o lugar da autora na história, lado a lado com os grandes inovadores da forma literária.