Publicidade
As marcas da juventude
PublishNews, Redação, 26/05/2025
Mais de cinquenta anos depois, Annie Ernaux mergulha no verão de 1958 para tentar acessar aquilo que gostaria de esquecer

Aos dezessete anos, a jovem Annie deixa sua cidade natal para trabalhar como monitora numa colônia de férias na Normandia. É ali que vive sua primeira experiência sexual, em uma noite que deixaria nela uma marca indelével. Em Memória de menina (Fósforo, 144 pp, R$ 69,90 – Trad.: Mariana Delfini), mais de cinquenta anos depois, Ernaux mergulha no verão de 1958 para tentar acessar aquilo que gostaria de esquecer, mas que sabe estar na origem de quem ela se tornou, e também de seu trabalho como escritora. Com minúcia, ela tenta reconstruir a si mesma e o contexto da época para chegar ao coração da experiência tal como a viveu, e que a assombrará por tanto tempo. É assim que Ernaux se dedica a alguns dos temas mais dolorosos de sua obra, decorrências da memória primordial que dá nome ao livro. Depois daquela noite, ela testemunhará no próprio corpo os efeitos do trauma: a interrupção súbita da menstruação e um transtorno alimentar — numa época em que não havia com o que nomeá-lo.

[26/05/2025 07:00:00]
Matérias relacionadas
'O livro amarelo do terminal' é um mergulho no cotidiano frenético do Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo
"O mundo de Paulliny tem ingazeiros, buritis, tinguizeiros, árvores que brotam em clima árido, mas forte. Que elas nos inspirem a nos arriscarmos na leitura e na escrita para além de nossa zona de conforto", diz
Amir Haddad representa uma das experiências mais radicais, libertárias e democráticas das artes cênicas brasileiras
Leia também
Ing Lee convida jovens leitores a conhecerem o universo do seu irmão caçula, João
Autora mostra que, muitas vezes, é preciso ser corajoso não para enfrentar um grande perigo, mas para superar as dificuldades que surgem no cotidiano
Leo Cunha e Raquel Matsushita criam uma personagem que se questiona, experimenta espaços nas palavras, assume papéis e se transforma