Romance da escritora austríaca foi o único de uma trilogia a ser concluído e faz uma representação literária à altura de uma Viena fragmentada pela história de violência
Em
Malina (Estação Liberdade, 352 pp, R$ 94 – Trad.: Carla Bessa), originalmente publicado em alemão em 1971, Ingeborg Bachmann convida o leitor a um mundo estendido aos limites da linguagem. Uma narradora, que trabalha como escritora em Viena, está dividida entre dois homens: vista através do prisma basculante da obsessão, ela viaja em profundidade dentro das próprias loucuras, ansiedades e genialidades.
Malina explora o amor, as várias faces da morte, a raiz do fascismo, a paixão. Bachmann conta a história de vidas dolorosamente entrelaçadas: a narradora, assombrada por memórias aterrorizantes de seu pai, vive com o andrógino Malina, um homem inicialmente distante e frio que acaba se tornando uma influência ameaçadora. Construído para culminar em um desfecho fascinante,
Malina desnuda brutalmente a briga pelo amor e os limites do diálogo entre mulheres e homens.