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Um relato de Auschwitz
PublishNews, Redação, 20/01/2025
Setenta anos após sua primeira publicação em húngaro, 'O crematório frio' recebe sua primeira edição em língua portuguesa

Ao saltar do trem, um grupo de judeus é direcionado a dois caminhos: à esquerda, aqueles julgados sem serventia, imprestáveis para o trabalho forçado, que seriam executados em menos de uma hora; à direita, os que seriam encarcerados e escravizados, cujos corpos seriam destituídos de qualquer tipo de humanidade ― mas que seguiriam vivos. József Debreczeni foi um dos que tiveram “sorte”. Passou 12 meses atrozes de servidão em uma série de campos de concentração, terminando no Crematório Frio, como era chamado o hospital de Dörnhau, onde os prisioneiros fracos demais para trabalhar eram deixados para morrer. Publicado originalmente em húngaro em 1950, O crematório frio (Companhia das Letras, 256 pp, R$ 89,90 – Trad.: Zsuzanna Spiry) nunca fora traduzido devido às hostilidades da Guerra Fria e do antissemitismo. Passaram-se mais de sete décadas até este livro ser vertido em 15 idiomas, finalmente inserindo-o no rol das grandes obras da literatura sobre o Holocausto. Debreczeni obriga o leitor a imaginar seres humanos em circunstâncias impossíveis de compreender intelectualmente, revelando-nos uma sociedade assombrosa. Como ressalta o posfácio de Michel Laub à edição brasileira, este relato é um registro histórico ― mas que, em tempos sombrios de extremismo político, faz também as vezes de uma súplica: que o passado não volte a se repetir.

[20/01/2025 07:00:00]
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