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Viver a morte em nosso tempo
PublishNews, Redação, 10/12/2024
Em ensaio contundente, Jacqueline Rose chama atenção para os problemas centrais vividos pela sociedade e compara momentos marcantes com obras de intelectuais que se propuseram questões semelhantes

Marcado pela pandemia de covid-19 e a invasão russa à Ucrânia, o início da década de 2020 exacerbou as discussões sobre o valor da vida humana. Entre os extremos das correntes de solidariedade e da exibição de diferenças sociais, o mundo teve a chance de se olhar no espelho e perguntar: quais vidas importam? Foi a partir de questionamentos como esse, potencializados pelo acompanhamento diário da tragédia durante o lockdown, que a psicanalista e crítica inglesa Jacqueline Rose lançou-se no ensaio A peste: viver a morte em nosso tempo (Fósforo, 160 pp, R$ 79,90 – Trad.: Flávia Costa Neves Machado). Para tanto, ela buscou respostas nas obras de intelectuais que se propuseram questões semelhantes em seu tempo: Albert Camus, Sigmund Freud e Simone Weil. Qual a face do mundo atual? Rose chama a atenção para a desigualdade entre os mais atingidos nestes últimos tempos — despossuídos, mulheres trancadas em casa com homens violentos, negros vítimas da polícia — e os super-ricos, cada vez mais ricos à custa da exploração da mão de obra e dos recursos do planeta. Mas, ao mesmo tempo, enxerga na explicitação dessas diferenças uma semente que traz imensa oportunidade de transformação. Algo praticamente obrigatório se considerarmos a próxima peste a nos espreitar — a das mudanças climáticas.

[10/12/2024 07:00:00]
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