Peças perdidas
PublishNews, Redação, 11/11/2024
'Ninguém morreu naquele outono' apresenta relacionados ao mar dialogam com raízes de escritora nascida no Recife

A obra Ninguém morreu naquele outono (Telaranha, 86 pp, R$ 50), de Manoella Valadares, traz poemas de caráter irresoluto. Marli, Alba e Gilda são personagens que aparecem e desaparecem, por vezes conversando entre si ou com um desconhecido. Uma das características essenciais do livro é justamente a incompletude. “O livro é um quebra-cabeça com peças perdidas. E se há uma peça que caberia naquele espaço, ela nunca vai se encaixar, porque está carcomida, pendente, fragmentada”, diz Valadares. Ao mesmo tempo, os poemas inconclusos conversam com temáticas como pertencimento, processos imigratórios, feminismo e questões de gênero, sendo a obra completa, inclusive, considerada pela autora como um livro queer. Sobre as personagens que aparecem no livro, a escritora Marcella Faria escreve no posfácio: “São bruxas íntimas, amigas e amantes; são mulheres, traços da voz no papel”. Outro aspecto marcante em Ninguém morreu naquele outono é o diálogo quase constante com temas “marítimos”. Vivendo há quase dez anos em Londres, uma capital sem mar, Valadares traz o oceano em seus poemas reforçando a conexão com o Recife, onde o mar é muito significativo.

[11/11/2024 07:00:00]
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