Para assinalar o centenário da morte de Franz Kafka, a editora Estação Liberdade anuncia o lançamento de uma coletânea, bilíngue, de contos do autor
Não é nenhuma novidade o fato de que a sensibilidade transmórfica de Franz Kafka valsa de um lado a outro cruzando a linha que separa o real do surreal. Mas isso, a bem da verdade, é apenas uma suposição corriqueira, pois há ocasiões onde ele mesmo nos faz duvidar da existência da fronteira entre os mundos, implicando sugestivamente a sobreposição destes com uma naturalidade avassaladora. Em
Contos finais escolhidos (Estação Liberdade, 128 pp, R$ 61) o leitor vai encontrar textos presentes, algumas características do mundo kafkiano, como uma apreensão perturbada da realidade em
À noite e no fragmento de
O grande nadador, ou como leituras minuciosas acerca das relações sociais em
O recrutamento de tropas e
Uma pequena mulher. Notamos críticas à burocracia em
Sobre a questão das leis e
Intercessores, aspectos fabulares em
O brasão da cidade e
Pequena fábula, e evocações à mitologia grega em
Prometeu e
Poseidon. Com o objetivo de marcar o centenário da morte de Kafka, esta edição bilíngue apresenta vinte traduções de contos curtos e uma tradução de um fragmento de texto do autor, escritos entre 1919 e 1924, ano de sua morte, e revisita a inquietude que permeou sua obra como um todo.