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Um retrato do nosso tempo
PublishNews, Redação, 26/08/2024
'Querido babaca', de Virginie Despentes, é um profundo elogio ao diálogo em um mundo tomado pelo ódio

Depois do sucesso de A vida de Vernon Subutex, trilogia que lhe rendeu o epíteto de Balzac do século 21, Virginie Despentes retorna à ficção com o romance epistolar Querido babaca (Fósforo, 280 pp, R$ 89,90 – Trad.: Marcela Vieira), best-seller que captura com humor e precisão desconcertantes o espírito do nosso tempo e faz pensar em uma versão ultracontemporânea do clássico francês As relações perigosas. Em seus quase 50 anos, Rebecca Latté é uma atriz famosa que acaba de atravessar o auge da carreira. Oscar Jayack é um escritor de meia-idade e de relativo sucesso. Casado e pai da menina Clémentine, sua vida vai bem até que, na esteira do movimento #MeToo, ele é acusado de assédio sexual por sua jovem e colérica ex-assessora de imprensa, Zoé Katana, que agora mantém um blog feminista para divulgar a história. Exemplo de masculinidade frágil incapaz de lidar com as frustrações, certo dia Jayack faz um comentário ofensivo sobre a aparência de Latté pelo Instagram. Numa estrutura de réplica e tréplica, os dois então avançam numa sequência de correspondências ácidas por e-mail. Entre os insultos trocados, Rebecca e Oscar também se permitem a honestidade e passam a trocar confidências a respeito de suas infâncias, do vício em drogas, do envelhecimento, da dificuldade de acompanhar um mundo em transformação e da experiência de confinamento pela pandemia de covid-19. Dessas cartas emergem temas como machismo, desigualdade de gênero, luta contra o patriarcado, interseccionalidade, cultura digital, saúde mental, parentalidade, entre outros. Enérgico, direto, raivoso e irônico, Querido babaca é também um profundo elogio ao diálogo em um mundo tomado pelo ódio.

Tags: Fósforo, romance
[26/08/2024 07:00:00]
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