Nesses três livros, o poeta Adonis vaga por diversas localidades, levantando camadas, revelando o Oculto e alisando o trivial
Ode à errância (Tabla, 272 pp, R$ 77) é o título que o próprio autor, o poeta Adonis, sugeriu para este volume da edição brasileira que reúne três das suas produções mais recentes:
Concerto Alquds, de 2012;
Zócalo, de 2014; e
Osmanthus, de 2019. Nesses três livros, que juntos formam uma ode contínua à errância, o poeta vaga por Alquds (Jerusalém), pela Cidade do México e outras localidades do país americano, e por Pequim e a geografia da Montanha Amarela, levantando camadas, revelando o Oculto, alisando o trivial. Três territórios que são o mundo todo nas errâncias de Adonis. “Anos a fio mergulhado na poesia árabe, Adonis procura resgatá-la, redesenhá-la. Boa parte de seus livros responde a tal desafio. Não renuncia ao árabe, quando escreve. Língua de exílio e intervalo. Não porque more em Paris, insiste. Todo poeta vive o exílio da língua, para melhor explorá-la, som e sentido, como quem passa fronteiras, ao longo de sua corrente sanguínea, orgânica e social.” – Marco Lucchesi na introdução de
Ode à errância.